Fecundidade
2. FECUNDIDADE
O Quadro 2.1 mostra diversos indicadores da fecundidade actual em Moçambique segundo o IIRGPH. O primeiro indicador, a taxa bruta de natalidade, indica o número de nascimentos por cada mil habitantes. No PaÃs, no ano 1996-97 nasceram 44.4 crianças em cada 1,000 habitantes. Nas áreas urbanas, este valor foi de 38.0 e nas rurais de 46.9. Embora seja de cálculo fácil e interpretação directa, este indicador é muito afectado pela estrutura etária da população.
| QUADRO 2.1: Indicadores de fecundidade por área de residência, Moçambique, 1997 |
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Indicadores |
Total | Urbano | Rural |
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Taxa bruta de natalidade |
44.4 | 38.0 | 46.9 |
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Taxa global de fecundidade |
5.9 | 5.2 | 6.2 |
| Taxas especÃficas de fecundidade | |||
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15-19 |
107 | 97 | 111 |
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20-24 |
226 | 215 | 231 |
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25-29 |
231 | 211 | 239 |
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30-34 |
216 | 189 | 226 |
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35-39 |
185 | 153 | 197 |
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40-44 |
122 | 97 | 130 |
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45-49 |
90 | 63 | 99 |
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Idade média da fecundidade |
31.1 | 30.5 | 31.3 |
O segundo indicador de fecundidade do Quadro 2.1, a Taxa Global de Fecundidade (TGF), expressa o número médio de filhos que uma mulher teria até ao final da sua vida reprodutiva se mantivesse o comportamento reprodutivo actual. A TGF é o indicador da fecundidade mais utilizado em demografia, pois tem a vantagem de facilitar comparações entre diferentes populações e perÃodos de referência, por estar isento do efeito da estrutura da população. Segundo os dados do Quadro 2.1, a TGF para Moçambique é de 5.9 filhos por mulher; para as áreas urbanas é de 5.2 filhos e de 6.2 para as rurais. A menor fecundidade observada nas áreas urbanas é quase universal (embora bastante elevada no caso de Moçambique). Esta diferença é usualmente explicada pelo maior nÃvel educacional e sócio-económico da população urbana, variáveis associadas a uma menor fecundidade. Outras explicações enfatizam as vantagens económicas para as famÃlias rurais de um número elevado de descendentes, especialmente no que diz respeito à disponibilidade de mão-de-obra e segurança durante a velhice. Num contexto urbano, pelo contrário, um número elevado de filhos representaria uma desvantagem para a economia do agregado familiar.
O Quadro 2.1 mostra também as taxas especÃficas de fecundidade, isto é, o número médio de filhos nascidos vivos por cada 1,000 mulheres nas idades correspondentes a cada grupo etário. Esta informação é também apresentada no Gráfico 2.1 por área de residência. Estas taxas indicam o calendário da fecundidade, isto é, as idades nas quais as mulheres têm os seus filhos. A forma das curvas correspondentes as áreas urbanas e rurais é similar, o que significa que a distribuição dos nascimentos por idades das mulheres é similar entre as áreas urbanas e rurais. Examinando estas curvas observam-se distribuições de cúspide estendida, isto é, com pouca variação entre as taxas correspondentes à s idades mais importantes do perÃodo reprodutivo (20 a 39 anos). Isto indica que as mulheres têm filhos durante grande parte de suas vidas reprodutivas. Consistente com estas distribuições da fecundidade por grupos de idade é o valor da idade média da fecundidade, também apresentado no Quadro 2.1. Esta cifra indica a idade média em que as mulheres têm os seus filhos. O valor para o PaÃs é 31.1 anos. Não há diferenças significativas no que diz respeito a esta variável entre as áreas urbanas e as rurais: 30.5 e 31.3 anos, respectivamente.
O Quadro 2.1 mostrou indicadores de fecundidade actual, isto é, para o ano em que foi realizado o IIRGPH. Por outro lado, o Quadro 2.2 mostra a fecundidade acumulada, ou seja, o número de filhos tidos durante toda a vida reprodutiva das mulheres. Este quadro apresenta dois indicadores: a distribuição das mulheres por
| QUADRO 2.2: Distribuição percentual das mulheres por número de filhos nascidos vivos e número médio de filhos nascidos vivos segundo área de residência e idade da mulher, Moçambique, 1997 |
| Ãrea de residência e idade | Número de filhos nascidos vivos | Número médio de filhos nascidos vivos | |||||||
| Total | 0 | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6+ | ||
| Total | |||||||||
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Total |
100.0 | 26.2 | 15.9 | 13.2 | 10.4 | 8.7 | 7.0 | 18.7 | |
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15-19 |
100.0 | 71.1 | 21.2 | 5.4 | 1.4 | 0.5 | 0.2 | 0.1 | 0.4 |
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20-24 |
100.0 | 24.6 | 28.4 | 24.2 | 12.7 | 5.7 | 2.4 | 2.0 | 1.6 |
|
25-29 |
100.0 | 11.7 | 14.3 | 19.5 | 19.5 | 15.3 | 9.4 | 10.2 | 2.9 |
|
30-34 |
100.0 | 7.9 | 8.2 | 11.6 | 14.1 | 15.8 | 14.5 | 27.8 | 4.1 |
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35-39 |
100.0 | 7.1 | 6.1 | 8.4 | 10.2 | 12.1 | 12.9 | 43.1 | 5.0 |
|
40-44 |
100.0 | 7.7 | 5.6 | 6.7 | 7.7 | 9.3 | 10.5 | 52.6 | 5.7 |
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45-49 |
100.0 | 8.4 | 5.9 | 6.6 | 7.1 | 8.4 | 9.3 | 54.4 | 5.9 |
| Urbana | |||||||||
| Total | 100.0 | 30.2 | 16.7 | 13.2 | 10.2 | 8.3 | 6.5 | 15.0 | |
|
15-19 |
100.0 | 76.5 | 18.6 | 3.8 | 0.7 | 0.3 | 0.1 | 0.1 | 0.3 |
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20-24 |
100.0 | 29.2 | 30.6 | 23.4 | 10.5 | 4.0 | 1.4 | 1.0 | 1.4 |
|
25-29 |
100.0 | 13.0 | 16.8 | 21.7 | 20.6 | 14.4 | 7.6 | 5.9 | 2.6 |
|
30-34 |
100.0 | 7.8 | 9.1 | 13.2 | 16.1 | 17.4 | 15.0 | 21.3 | 3.8 |
|
35-39 |
100.0 | 6.7 | 6.5 | 9.0 | 11.3 | 13.5 | 14.4 | 38.7 | 4.7 |
|
40-44 |
100.0 | 7.3 | 5.9 | 7.1 | 8.2 | 9.9 | 11.4 | 50.1 | 5.4 |
|
45-49 |
100.0 | 8.5 | 6.6 | 7.1 | 7.2 | 8.5 | 9.4 | 52.8 | 5.6 |
| Rural | |||||||||
| Total | 100.0 | 24.6 | 15.6 | 13.1 | 10.5 | 8.8 | 7.2 | 20.2 | |
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15-19 |
100.0 | 68.6 | 22.5 | 6.2 | 1.7 | 0.6 | 0.2 | 0.2 | 0.4 |
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20-24 |
100.0 | 22.6 | 27.5 | 24.5 | 13.6 | 6.5 | 2.9 | 2.4 | 1.7 |
|
25-29 |
100.0 | 11.2 | 13.3 | 18.6 | 19.1 | 15.7 | 10.2 | 11.9 | 3.0 |
|
30-34 |
100.0 | 8.0 | 7.8 | 10.8 | 13.2 | 15.1 | 14.3 | 30.7 | 4.3 |
|
35-39 |
100.0 | 7.3 | 6.0 | 8.1 | 9.8 | 11.6 | 12.4 | 44.9 | 5.1 |
|
40-44 |
100.0 | 7.8 | 5.4 | 6.6 | 7.5 | 9.1 | 10.1 | 53.5 | 5.8 |
|
45-49 |
100.0 | 8.4 | 5.7 | 6.5 | 7.0 | 8.3 | 9.2 | 54.9 | 5.9 |
A percentagem de mulheres de 45 a 49 anos de idade sem filhos fornece uma medida de infecundidade primária. É usualmente aceite que, nos paÃses em desenvolvimento, a proporção de mulheres em união conjugal que no final do perÃodo reprodutivo não têm filhos é de 2 a 5%. No caso de Moçambique, esta proporção é de 8.4%, superior ao padrão esperado, mas isto pode dever-se também a uma omissão na declaração dos nascimentos. A percentagem de mulheres no fim do perÃodo reprodutivo que não tem filhos é quase igual nas áreas rurais e nas urbanas.
Os dados do Quadro 2.2 também indicam que a maternidade precoce é frequente em Moçambique, tanto nas áreas urbanas como nas rurais. Assim, 28.9% das mulheres adolescentes (15 a 19 anos de idade) já tem pelo menos um filho. Segundo o Quadro 2.1, a taxa especÃfica de fecundidade deste grupo é de 107 nascimentos por 1,000 mulheres. As mulheres adolescentes contribuem anualmente com aproximadamente 13.4% do total dos nascimentos ocorridos no PaÃs. Esta contribuição é algo superior nas áreas urbanas do que nas rurais: 14.6% contra 12.9%. Esta situação tem merecido uma atenção muito especial do Governo, pois está relacionada com gravidezes não desejadas, abortos e diversos problemas sociais, morais, económicos e de saúde, tanto para as crianças como para as próprias adolescentes.