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Tamanho, Estrutura e Crescimento da População

1.  TAMANHO, ESTRUTURA E CRESCIMENTO DA POPULAÇÃO

O tamanho, a estrutura e o crescimento da população de um determinado território são variáveis básicas na análise demográfica. O tamanho da população refere-se ao número de pessoas que residem no território e o crescimento às mudanças do referido tamanho no tempo. A estrutura é simplesmente a composição da população por sexo e idade.

Um recenseamento, sendo uma operação estatística complexa e exaustiva, não está isento de erros e omissões de população ou de habitações. Por isso, depois dum recenseamento é recomen-dável realizar-se um inquérito de cobertura e utilizar os seus resultados, em conjunto com diversas técnicas estatísticas, para corrigir e ajustar os resultados obtidos no recenseamento. Segundo os resultados do inquérito de cobertura realizado pelo INE, a taxa de omissão do IIRGPH foi de 5.1%, ou seja, o Censo abrangeu quase 95% da população do País.

A população recenseada em Moçambique foi de 15,278,334 pessoas. Após o ajuste feito, utilizando-se a taxa de omissão censal e diversas técnicas estatísticas, estima-se que a população à data do Censo (1 de Agosto 1997) foi de 16,099,246. É importante mencionar que a prática usual é ajustar, da forma mencionada acima, só a população por sexo e idade (total, urbano-rural e por província). Os dados apresentados nesta secção foram assim ajustados .

O Quadro 1.1 mostra a distribuição percentual da população do País por província. Os dados mostram que a população de Moçambique está distribuída de forma relativamente uniforme entre a maioria das províncias, exceptuando Zambézia e Nampula; estas duas províncias são as mais populosas e concentram 38.4% da população total. A Capital do País, Maputo Cidade, concentra 6.1% da população total.

O Quadro 1.1 apresenta também a distribuição da população por sexo. Existe uma pequena diferença entre a proporção de homens e de mulheres: 47.9% dos habitantes são do sexo masculino e 52.1% do feminino. Isso traduz-se num índice de masculinidade de 92. Este indicador representa o número de homens por cada 100 mulheres. Nalgumas províncias, como Inhambane, Gaza e Maputo, os índices são muito baixos (78, 75 e 89, respectivamente). Isto parece ter sido causado por uma significativa emigração masculina (ver secção 4).

Finalmente, o Quadro 1.1 mostra que 28.6% da população de Moçambique reside nas áreas urbanas e 71.4% nas rurais. É importante mencionar que os índices de masculinidade entre as

QUADRO 1.1: Distribuição percentual da população por sexo, e índice de masculinidade, segundo área de residência e província, Moçambique, 1997
N(000)
16,099.2 7,714.3 8,384.9 92
Total
100.0 100.0 100.0  
Urbana
28.6 29.5 27.8 98
Rural
71.4 70.5 72.2 90
Niassa
5.0 5.1 4.9 96
Cabo Delgado
8.6 8.7 8.5 94
Nampula
19.1 19.8 18.4 99
Zambézia
19.3 19.5 19.1 94
Tete
7.6 7.6 7.6 92
Manica
6.5 6.5 6.5 92
Sofala
8.5 8.7 8.4 95
Inhambane
7.2 6.6 7.8 78
Gaza
6.9 6.2 7.6 75
Maputo
5.2 5.1 5.2 89
Maputo Cidade
6.1 6.3 6.0 96


áreas urbanas e rurais são diferentes. Nas primeiras o índice é de 98, indicando quase um equilíbrio entre o número de homens e o de mulheres e, nas segundas, é de 90, indicando um maior número de mulheres do que o de homens. Esta última cifra parece ser o resultado de emigração rural masculina.

O Quadro 1.2 mostra a distribuição da população por sexo e idade. Esta distribuição pode ser apreciada melhor observando a pirâmide de população apresentada no Gráfico 1.1. Esta é a forma mais utilizada para apresentar graficamente a estrutura duma população. O modelo de pirâmide observado na maioria dos países com elevadas taxas de fecundidade e de mortalidade tem uma base expansiva com as barras que correspondem aos grupos quinquenais dispostas em forma de escada. Pode-se observar que a pirâmide de Moçambique se ajusta ao modelo típico. Entretanto, é importante mencionar que, no caso das mulheres, a pirâmide mostra uma irregularidade: as barras que correspondem à população 15-19 e 20-24 anos são de tamanho similar. Isto pode estar a indicar alguma má declaração da idade. A combinação de variações na fecundidade no passado e uma elevada emigração pode também influenciar a irregularidade observada.

QUADRO 1.2: Distribuição percentual da população por sexo, e índice de masculinidade, segundo idade, Moçambique, 1997
N(000)
16,099.2 7,714.3 8,384.9 92
Total
100.0 100.0 100.0  
0 - 4
17.5 18.4 16.7 101
5 - 9
15.1 15.8 14.5 100
10-14
12.2 12.8 11.6 102
15-19
10.4 10.6 10.3 95
20-24
9.3 8.5 10.1 78
25-29
7.9 7.0 8.6 75
30-34
6.1 5.8 6.3 84
35-39
5.0 4.8 5.1 88
40-44
4.0 3.9 4.1 89
45-49
3.3 3.2 3.3 89
50-54
2.6 2.6 2.7 87
55-59
2.1 2.1 2.2 88
60-64
1.7 1.7 1.7 90
65-69
1.2 1.2 1.2 92
70-74
0.8 0.8 0.8 93
75-79
0.4 0.4 0.4 96
80 e +
0.4 0.4 0.4 89


Os índices de masculinidade por grupos de idade, também apresentados no Quadro 1.2, mostram algumas flutuações que podem ser explicadas por uma possível emigração masculina selectiva por idade. É o caso dos baixos índices de masculinidade, especialmente entre os 20 e os 34 anos. Nas idades superiores os índices inferiores a 100 são causados, em parte, por uma sobremortalidade masculina nestas idades.

O Quadro 1.3 mostra alguns indicadores da composição etária da população de Moçambique por área de residência. A população do País é predominantemente jovem, sendo 44.8% com idades inferiores a 15 anos. Por sua vez, a proporção de idosos com idades superiores a 65 anos é apenas de 2.9%. A idade mediana é de 17.5 anos, o que significa que metade da população tem idade inferior a esta cifra. O índice de dependência indica a relação entre a população potencialmente dependente economicamente (0 a 14 anos e 65 e mais) e a população em idade de trabalhar (15 a 64 anos). O valor calculado para Moçambique indica que para cada 100 pessoas potencialmente activas há 91.0 pessoas potencialmente inactivas. Comparativamente, esta cifra é alta e reflecte uma elevada proporção de menores de 15 anos. A população rural do País é mais jovem do que a urbana; entretanto a diferença é pequena. Por exemplo, a diferença entre as idades medianas é desprezível (0.7 ano) e a diferença entre as percentagens de pessoas menores de 15 anos é de 3.0 pontos percentuais (42.6% e 45.6%, respectivamente). Entretanto, encontra-se uma maior diferença entre os índices de dependência das áreas urbanas e rurais; a proporção da população potencialmente inactiva é superior nestas últimas.

QUADRO 1.3: Indicadores da composição etária da população por área de residência, Moçambique, 1997
N(000)
16,099.2 4,601.1 11,498.1
Total
100.0 100.0 100.0
Grupos funcionais de idade
0 - 14 (%)
44.8 42.6 45.6
15 - 64 (%)
52.3 55.3 51.2
65 e + (%)
2.9 2.1 3.2
Índice de dependência (%)
91.0 80.9 95.4
Idade mediana (anos)
17.5 18.0 17.3

 

Durante o período 1980 a 1997, a população de Moçambique incrementou em quase 4 milhões de habitantes, o que representa um aumento de 32.7%. Nesse período a taxa média anual de crescimento (exponencial) foi de 1.7%. Com esta taxa de crescimento, o tempo de duplicação da população de Moçambique é de 41.6 anos. A taxa de crescimento natural2 da população para 1996-97 foi de 2.3%. Com esta última taxa, o tempo de duplicação da população é de 29.9 anos. No período 1980-1997, a população rural cresceu de 10.5 para 11.5 milhões, ou seja, em 1.0 milhão de pessoas (9.2%); a taxa média anual de crescimento (exponencial) foi de 0.5%. Por outro lado, no mesmo período, a população nas áreas urbanas cresceu de 1.6 para 4.6 milhões, ou seja em 3.0 milhões de pessoas, ou 187.6%; o crescimento médio anual (exponencial) foi de 6.2%. Esta enorme diferença entre o crescimento das populações nas áreas urbanas e rurais foi causada principalmente pela reclassificação no IIRGPH, como urbanas, de algumas áreas consideradas como rurais no censo de 1980. Os movimentos migratórios rural-urbano também podem ter influenciado o substancial crescimento da população das zonas urbanas. As taxas de crescimento natural para 1996-97 foram de 2.2% para a população rural e 2.7% para a urbana. A diferença entre estas duas últimas taxas é causada pela maior mortalidade prevalecente nas áreas rurais (ver Secção 3).