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Força de Trabalho

7.  FORÇA DE TRABALHO

A população economicamente activa (PEA) é o conjunto de pessoas em idade de trabalhar, de ambos os sexos, que constituem a mão de obra disponível para a produção de bens e serviços. Dito por outras palavras, a PEA compreende as pessoas que trabalham (ocupadas) e as que procuram activamente um trabalho (desocupadas), incluindo aquelas que o fazem pela primeira vez.

Segundo recomendações internacionais, a PEA é considerada como a população que participa na actividade económica e que tenha 15 anos de idade e mais. A análise da PEA que é apresentada nesta secção seguiu esta recomendação. No entanto, o boletim do censo foi desenhado para captar também pessoas com idades entre 7 e 14 anos. A participação laboral deste último grupo é analisada num quadro separado.

No IIRGPH a PEA foi medida através de uma pergunta sobre a actividade realizada pelas pessoas na semana anterior à data do censo. Assim, como mostra o Quadro 7.1, o tamanho da PEA em Moçambique é de 5.9 milhões de pessoas. Este número corresponde a 69.7% da população de 15 anos e mais. O nível da participação masculina é superior à feminina: 73.5% contra 66.5%. Das pessoas que fazem parte da PEA, 92.1% trabalharam na semana de referencia. Fora da PEA, encontram-se 2.4 milhões de pessoas de 15 anos e mais, o que corresponde a 28.2% desta população. Das pessoas fora da PEA, 39.3% são homens e 60.7% mulheres (estas últimas percentagens não são apresentadas no Quadro 7.1). A maior parte dos inactivos, tanto entre os homens como entre as mulheres, é constituída por domésticos(as) e outros inactivos.

O nível de participação económica na área rural é mais elevado do que na urbana, devido, em parte, à maior participação feminina, a qual, segundo será evidenciado a seguir, é largamente relacionada ao sector da agricultura. Assim, 76.5% da população de 15 anos e mais faz parte da PEA na área rural contra 54.0% nas zonas urbanas.

O Quadro 7.2 e o Gráfico 7.1 mostram as taxas específicas de participação na actividade económica. Estas taxas são a razão entre a população activa dum determinado sexo e grupo etário sobre a população total desse mesmo sexo e grupo etário (multiplicado por 100). Elas reflectem a entrada e saída das pessoas da força de trabalho, segundo a idade. No caso de Moçambique, nas áreas urbanas, a participação masculina é superior à feminina em todos os grupos etários. No sector rural a participação masculina global é também superior à das mulheres, excepto no

QUADRO 7.1: Distribuição percentual da população de 15 anos e mais por área de residência e sexo, segundo actividade na semana de referência, Moçambique, 1997
N (TOTAL) (000)
8,485.1 3,908.2 4,576.9 2,539.5 1,249.2 1,290.3 5,945.6 2,659.0 3,286.7
Total
100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0
PEA
69.7 73.5 66.5 54.0 64.3 44.0 76.5 77.9 75.3
Economicamente Inactivos
28.2 24.1 31.8 43.8 33.3 53.9 21.6 19.8 23.1
Desconhecidos
2.0 2.4 1.8 2.3 2.4 2.1 1.9 2.3 1.6
N (PEA) (000)
5,916.4 2,874.4 3,041.9 1,370.8 803.0 567.8 4,545.6 2,071.4 2,474.2
PEA
100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0
Trabalhou
92.1 90.6 93.6 92.1 90.9 93.8 92.1 90.4 93.5
Não Trabalhou mas tem Emprego
2.0 2.4 1.6 2.1 2.5 1.5 2.0 2.4 1.6
Ajudou Familiares
4.8 5.1 4.5 3.3 3.1 3.6 5.3 5.9 4.7
Procurava Novo Emprego
0.2 0.3 0.1 0.4 0.6 0.2 0.1 0.2 0.0
Procura Emprego Pela 1ª Vez
0.9 1.5 0.3 2.1 2.9 0.9 0.5 1.0 0.1
N (Economicamente Inactivos) (000)
2,395.9 941.4 1,454.5 1,111.5 415.8 695.7 1,284.4 525.6 758.8
Economicamente Inactivos
100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0
Foi Doméstico (a)
48.4 24.3 64.0 49.3 18.8 67.6 47.6 28.8 60.6
Foi somente Estudante
17.1 27.9 10.1 24.0 38.6 15.3 11.2 19.5 5.4
Foi Reformado/Reserva
1.9 4.1 0.5 2.7 6.2 0.6 1.3 2.5 0.4
Incapacitado(a)
7.3 7.6 7.1 3.9 4.4 3.7 10.2 10.1 10.3
Outra
25.2 36.0 18.2 20.0 32.1 12.8 29.7 39.1 23.2

 

 

QUADRO 7.2: Taxas específicas de actividade por área de residência e sexo segundo idade, Moçambique, 1997
Total
69.7 73.5 66.5 54.0 64.3 44.0 76.5 77.9 75.3
15 - 19
51.4 49.3 53.3 28.5 31.9 25.1 63.5 59.5 66.8
20 -24
67.1 71.1 64.0 48.1 59.4 38.1 75.8 77.1 74.8
25 - 29
73.3 79.9 68.2 59.6 75.2 46.0 79.1 82.0 77.0
30 - 34
76.1 82.6 70.6 66.1 80.5 52.5 80.8 83.6 78.5
35 - 39
78.1 83.7 73.2 69.8 82.3 56.7 81.8 84.4 79.6
40 - 44
79.4 84.4 74.9 71.9 83.1 59.5 82.6 85.0 80.7
45 - 49
80.1 84.8 75.9 71.9 83.1 59.8 83.0 85.4 80.9
50 - 54
78.9 84.1 74.5 70.1 81.6 58.4 81.8 85.0 79.1
55 - 59
78.6 83.6 74.0 68.3 79.2 57.0 81.6 85.0 78.7
60 - 64
74.0 78.7 69.8 58.8 66.6 51.5 78.8 82.5 75.4
65 - 69
72.0 77.0 67.5 53.3 60.0 47.6 77.1 81.3 73.1
70 - 74
65.5 71.5 59.9 44.2 50.7 38.9 71.5 76.7 66.4
75 - 79
63.7 70.2 57.4 40.1 46.6 35.3 69.5 75.1 63.8
80 e +
53.3 62.3 45.3 29.8 36.9 25.2 58.5 66.9 50.5

 

grupo etário 15-19 anos. A diferença entre as taxas de participação masculina e feminina é inferior no sector rural que no urbano. É importante notar que as quatro curvas indicam que as taxas começam a ter uma queda importante a partir dos 60 anos. Entretanto, nas áreas rurais esta queda é mais lenta, indicando que uma maior proporção de pessoas continuam a trabalhar nas idades superiores. O motivo parece ser a inexistência de reforma nas áreas rurais. Nestas últimas há também uma maior participação de pessoas idosas em actividades ligadas à produção, especialmente a produção alimentar para o consumo familiar (trabalho na machamba e criação de animais).

 



O Quadro 7.3 mostra as taxas de participação da população de 7 a 14 anos. Este quadro evidencia um nível importante de participação infantil nas actividades económicas: 28.0% das crianças entre 7 e 14 anos participam no processo de trabalho. As taxas aumentam com a idade; também, são mais elevadas para os homens nas idades inferiores, só que a partir dos 12 anos são superiores para as mulheres. Nas áreas urbanas a participação laboral das crianças é relativamente baixa: 8.7%. Nas áreas rurais a participação é muito mais elevada: 37.1% das crianças entre 7 e 14 anos trabalham. A verdade é que o elevado nível de participação a nível do País é causado principalmente pelas elevadas taxas de participação rural. Na maioria dos países do Terceiro Mundo, a participação laboral das crianças é mais elevada no sector rural do que no urbano. Isto está ligado a uma menor frequência escolar nas áreas rurais. Nas primeiras, as famílias dispõem de menos recursos do que nas segundas para enviar e manter seus filhos no sistema educacional, há menos escolas e, sobretudo, o trabalho dos filhos é percebido como mais importante que a sua educação para o bem estar familiar. Este último aspecto é especialmente certo em contextos onde predomina uma agricultura de subsistência.

QUADRO 7.3: Taxas específicas de actividade por área de residência e sexo correspondente a população de 7 a 14 anos, Moçambique, 1997
Total
28.0 28.3
27.7
8.7 9.0 8.3 37.1 37.0 37.2
7
21.6 22.4
20.9
5.8 5.9 5.6 28.1 29.0 27.2
8
22.9 23.8 22.1 6.2 6.3 6.1 30.1 31.1 29.1
9
24.3 25.1 23.4 6.4 6.4 6.3 32.4 33.3 31.5
10
28.2 29.1 27.3 8.1 8.5 7.7 36.8 37.4 36.2
11
26.4 26.7 26.2 7.6 7.7 7.5 36.5 36.4 36.6
12
32.4 32.1 32.6 10.1 10.5 9.8 42.9 41.8 44.2
13
32.7 32.0 33.5 11.0 11.5 10.6 44.5 42.7 46.5
14
37.1 35.7 38.5 13.9 14.6 13.3 49.5 46.8 52.6